HISTÓRIA


 

Bom dia 



Meu filho morreu me odiando. 

Eu doei os órgãos dele contra a vontade de toda a família. 

Três anos depois, o homem que recebeu o coração bateu à minha porta.

O nome do meu filho era Felipe. E ele era um furacão de problemas.

Aos 22 anos, ele andava com más companhias, usava drogas e vivia me enfrentando.

 Nossa última conversa foi aos gritos.

 Ele bateu a porta de casa dizendo que eu era a pior mãe do mundo e que nunca mais olharia na minha cara.

Ele cumpriu a promessa. Duas horas depois, a moto dele colidiu de frente com um caminhão. 

Morte cerebral. 

No hospital, o pai dele gritava que Felipe deveria ser enterrado inteiro. 

Mas algo dentro de mim, uma voz que não era minha, me mandava assinar os papéis de doação de órgãos. Fui chamada de monstro pelos meus próprios parentes.

 Enterrei meu filho aos pedaços, odiada pelo meu ex-marido e moída pela dúvida: será que Felipe, do outro lado, estava sofrendo por causa da minha decisão?

Passei três anos à base de antidepressivos.

 Sonhava todas as noites que Felipe estava preso em um quarto escuro, gritando de dor, dizendo que faltava um pedaço dele. 

Até que, numa tarde de domingo, a campainha tocou. 

Era um homem de uns 40 anos.

 Ele chorava antes mesmo de eu abrir o portão. 

Ele se apresentou como Roberto. 

Disse que há três anos sofria de uma doença cardíaca terminal, com dias contados, quando recebeu um coração.

 O coração do meu Felipe.

Eu o abracei aos prantos, sentindo o peito dele bater. Mas ele recuou um passo, enxugou as lágrimas e disse que precisava me contar algo que estava o enlouquecendo.

"Dona Marta, eu não conhecia seu filho. 

Mas desde que recebi esse coração, eu tenho sonhos lúcidos quase toda semana. E não são sonhos... são lembranças."

Meu sangue gelou. 

"Eu sonho com um homem vestido com roupas antigas, de outra época. Ele chora muito e me pede perdão. E toda vez, antes de o sonho acabar, esse rapaz me manda procurar uma mulher chamada Marta e entregar uma mensagem."

Minhas pernas fraquejaram. Sentei no degrau da varanda.

Roberto tirou um papel do bolso. "Ele mandou dizer que o quarto escuro finalmente se iluminou."

Eu não conseguia respirar. Aquela era a exata imagem dos meus pesadelos de culpa.

Roberto continuou, tremendo. "Ele disse que, em uma vida passada, num momento de fúria, ele tirou a minha vida. Ele atravessou séculos no Umbral, preso na escuridão pelo remorso de ter assassinado um homem bom."

Eu tapei a boca com as duas mãos.

"Quando Felipe reencarnou como seu filho," Roberto falou com a voz embargada, "ele veio com um único propósito espiritual: devolver a vida que ele havia me tirado. Mas o vício e a rebeldia quase destruíram o plano. Se o coração não chegasse a mim, ele voltaria para as trevas por mais trezentos anos."

Roberto se ajoelhou na minha frente. 

"A senhora não retalhou seu filho, dona Marta. Quando a senhora assinou aquele papel no hospital, a senhora pagou a dívida do espírito dele. A senhora tirou o Felipe do inferno."

Naquela noite, eu dormi sem remédios pela primeira vez em três anos. E sonhei com o meu menino. Ele estava vestido de branco, sorrindo, e me deu o abraço que não me deu em vida. 

Nenhum ato de amor se perde no universo.

 Às vezes, o que achamos que é o fim do corpo, é apenas o resgate da alma.


(Chico: Cartas de Paz e Consolação)


Uma semana super abençoada por Deus à todos. 


Alegria, saúde e abundância..


" Você pode salvar até 4 vidas, procure um HEMOCENTRO e seja um doador de sangue que a vida agradece. "

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