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PINTE a VIDA
PINTE a VIDA
Tenho uma amiga que quando percebe que eu estou triste,
costuma me perguntar quem roubou a minha caixa
de lápis de cor. Tem vez que nem pergunta, apenas comenta:
“poxa, dessa vez levaram as cores que você mais gosta!”
A tristeza afrouxa um pouco, por mais que eu esteja chateada.
Primeiro, porque é muito bom a gente se sentir olhado com carinho.
Depois, porque essa expressão tem uma inocência capaz de fazer gente grande tocar em coisas sérias sem ficar com medo de queimar a mão.
De vez em quando, ao ouvir a pergunta, acontece de uma lágrima
ou outra escapulir, afeitos que alguns sentimentos são a desaguar
no rosto quando o coração fica apertado. Mas, algumas vezes,
quando eu choro diante dessa indagação,
não é pelas cores que não encontro na caixa,
nem por lembrar de quem supostamente as roubou.
Choro por perceber que ainda dou aos outros o poder de roubá-las.
Por notar que, no fim das contas,
quem rouba os meus lápis de cor preferidos sou eu.
( Texto de Ana Jácomo)
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